Comecei o ano de 2026 decidido a ler mais, estudar mais, ser mais focado. Desde 2025 tenho sentido – e reclamado muito durante minhas sessões de terapia – que não consigo mais me concentrar com a facilidade que eu me concentrava 10 anos atrás.
Ter me tornado pai 6 anos atrás, durante a pandemia, mudou a química do meu cérebro. De lá pra cá percebo várias dificuldades que tenho e isso inclui a de concentração.
Auto-diagnóstico
Com muitas mudanças na rotina ao mesmo tempo: 100% home office, mudança de cidade e distância física de amigos, uma criança cheia de energia que precisa de atenção para que não cometa crimes contra a própria vida (eu te amo filho) era um pouco difícil identificar o motivo principal dessas minhas dificuldades e ao mesmo tempo fácil justificar usando todas elas.
Mas de 2 anos para cá eu tenho travado uma guerra com meu tempo de celular.
Redes sociais, um mal necessário?
Também durante a pandemia eu criei uma página no Instagram onde eu ensinava sobre finanças, economia e investimentos @granadepreto. Por um tempo eu acreditei que era impossível sair do Instagram por conta desse objetivo, mesmo a página estando às traças nos últimos 3 anos.
Sendo um programador, sempre vi usar o Twitter (me recuso a chamar de outro nome) como um benefício, quase um requisito. Já aconteceu – por exemplo – de durante uma entrevista eu dar uma resposta de algo que eu tinha visto no Twitter naquela mesma semana. As coisas acontecem primeiro no Twitter, e desde pequeno sempre gostei de ser bem informado. Twitter pra mim é como juntar a fome com a vontade de comer. Mesmo com todos esses benefícios, eu comecei a ver malefícios em usar.
A busca por solução
Achei que o culpado era o Twitter. Não que ele não atrapalhasse muito (não só a concentração), mas não resolveu. Eu estou mais de 75 dias sem usar o Twitter e não acho que melhorou não. Talvez tenha melhorado, mas resolvido com certeza não.
Eu tenho objetivo de consolidar alguns conhecimentos de arquitetura de software esse ano, além de entrar de cabeça no desenvolvimento assistido com IA. Para isso preciso trabalhar focado no horário de trabalho para que eu consiga estudar focado no momento de estudar e relaxar também no momento de relaxar. Parece óbvio, simples, mas é bem difícil de executar.
Todos falam de Cal Newport
Com esses objetivos em mente, todo vídeo que eu buscava sobre o assunto, quase todos os textos que eu lia sobre o assunto indicavam o autor Cal Newport. Eu já tinha alguns livros dele adicionados à minha estante do Skoob, mas o livro Deep Work ou Trabalho Focado não estava na minha lista, talvez por ser um livro de 2016, não sei.

Decidi ler o livro, acabei lendo bem rápido para minha velocidade atual – menos de uma semana – e eu realmente precisava ter lido isso agora.
Trabalho focado – Deep Work
O livro é dividido em 2 partes, onde a primeira parte o autor tenta te convencer da necessidade de você aprender a trabalhar de maneira focada, dando vários exemplos biográficos, estudos científicos e exemplos pessoais.
A segunda parte o autor explica as 4 regras que ele considera necessárias e obrigatórias para conseguir ter habilidade mental para conseguir trabalhar de maneira focada.
Dentre as regras, a regra sobre sair das redes sociais fez total sentido para minha vida. Eu realmente acho que por mais que eu já tivesse saído do Twitter, o Instagram ainda me consome tempo considerável. E os argumentos do autor sobre porque as pessoas decidem manter as redes sociais e porque você deveria sair encaixam muito no que eu penso e vivo. E aí decidi pelo menos fazer o teste de desinstalar o Instagram por 30 dias (e no processo convenci minha esposa a fazer esse teste também).
Conclusão
Na conclusão do livro o autor deu muitos exemplos pessoais, alguns que eu discordei muito, sendo sincero. Se a conclusão dele fosse o início do livro, talvez eu teria desanimado bastante da leitura. Sorte a minha que não 🤣
A minha conclusão é: você tem que ler. Especialmente se você tem minimamente se incomodado de não ter controle sobre sua atenção como eu tinha algum tempo atrás.